sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Sonetos de Saudades

 Inspirada por Soneto de fidelidade, quis te fazer uma poesia 

E por mais que eu não fosse nenhum Vinícius 

Juntei palavras na tentativa de um Soneto de saudade

Eu que jurei nunca te fazer sonetos, arranjei tercetos mal feitos nesses versos incompletos

Na vaga esperança de conseguir algo concreto, discreto e que te atinja 

Como aquela onda me atingiu 


( Seus olhos eram como aquela mar )


Relembrei 


Que eu já havia te visto antes 


Mas quando te enxerguei... 


Senti cheiro de casa.


Era areia molhada, brisa marítima, pescada saindo do mar nas mãos dos pescadores de arpão 

Mas acima de tudo tinha cheiro de você, tua pele fria e o perfume do teu cabelo 


Inspirada em Soneto de fidelidade eu quis te escrever um Soneto de saudade mas minhas frases são grandes demais para serem sonetos e minha saudade grande demais para caber em três quartetos e um terceto 


Então resolvi tatuar na pele o que já tenho cravado no peito, e junto disso lembrar de você 

No cheiro forte do sargaço das tardes no porto de Suape

Observando os tantos barcos atracados, dançando com as ondas 

No caminho de Paraíso 


Fechei os olhos e você estava em todos os meus passos 

Nos caminhos que fiz pelo estado 

Em cada esquina, ladeira e beco de Olinda 

Nas placas das ruas e nas histórias das pontes 

Nos bordéis e nos cordéis.


Você estava em tudo. 


Pensei em te dizer que meu coração tem pouco espaço porque Recife está guardado. 


Mesmo assim, arranjei lugar para você, entre quadros desenhados nas praias, garrafinhas de areia, as pequenas galinhas, o pôr do sol laranja, a maresia soberba e o calor humano das ladeiras em dias de prévias. 


Te deixei bem guardada também, o retrato bem cuidado longe dos respingos de suor para não danificar. Perto de tudo que eu amava, mas reservado para ver se eu parava de comparar. 


Não deu certo.


Continuei te vendo em todos os lugares. 


É que eu nasci nas águas de março mas te mostraria o que há no meu coração. 

Sobre fevereiro, a paixão que há em qualquer folião 

As ladeiras, o calor, os atabaques. 


A paixão com que eu erro os acordes do meu violão desafinado, é que não sei medir força quando eu toco e até esqueço que não sei tocar tão bem assim e me desconcentro pois as lembranças do seu sorriso se confundem com as memórias que tenho de Recife. 


E eu não poderia te dizer que te amo de forma diferente, de forma mais sincera e crua que essa. 


Como se em minha mente eu não estivesse de mãos dadas contigo pelas ruas do Antigo

Tendo Santa Rita como testemunha das coisas que aconteceram na Aurora, perto da Bom Jesus.


Te amei como amo os sóis de Recife.


Como seria possível eu escrever como o Vinícius? Como eu poderia te dizer que de tudo ao meu amor serei atento, se eu não me atento aos detalhes? 


Eu fui trabalhar num sábado, esqueci que estava de folga. Acordei no desespero achando que perdi a hora da aula, esquecendo que já terminei a escola. 


Minha mãe me dizia que eu não esquecia a cabeça porque era agarrada

Mal sabe ela 

Que já perdi a cabeça tantas vezes que mal posso contar. 


É só para me contradizer 


Eu te amei nos detalhes, e me expressei nós detalhes.


Acontece que não era de detalhes que você precisava. 


Como já esperado, como já me conhecem, não demos certo. 


Enchi minha cabeça de trabalho para esquecer o peito cheio de saudades, passei o tempo livre tatuando minhas feridas, já que as cicatrizes tinta alguma consegue cobrir. 


É foda. 


Sair do nordeste é viver contrariado e dividido.


E ser Pernambucano é isso, uma saudade imensa... E saudade é ferida aberta sangrando aos poucos, não mata, mas enfraquece. 

E se você for são, te enlouquece. 


Mas eu não quero te falar das coisas que aprendi nos discos. 


Eu não saberia te dizer da minha saudade, além do que você já sabe. 


Que minha saudade não cabe num verso, nem mesmo num poema inteiro.


Nas férias talvez eu vá para Recife


Assistir o pôr do sol no cais, ou buscar meu coração na alfândega. 



Sei lá, quero celebrar meu amor na terça de carnaval e sofrer por ele na quarta de cinzas, desejando voltar ao início... No sábado de Zé Pereira.


Queria poder te mostrar o sol que eu conheço.


Vou voltar para Recife, colocar minha alma no lugar, pois ela saiu de mim correndo solta e tenho certeza que foi parar lá.


Mas eu lembrarei de você sempre que possível...


entre meus textos e os meus pretextos

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Chuva de verão.





 Lembrar de você, em resumo, é como aquela chuva de verão que me pegou de surpresa no caminho para o trabalho.


Meu pobre guarda chuva resistiu a ventania, mas não fez um bom trabalho em me proteger das gotas e dos carros que passavam rápido pelas poças. 


Em outro momento eu diria que situações repentinas não me surpreendem, que amo a chuva e nunca tive medo de me molhar... E que em outra ocasião eu apenas correria para dançar na chuva e comemorar o cheiro de terra molhada.


Mas hoje sei que é inconveniente chegar molhado no trabalho. 


Apesar de continuar amando a chuva. 



Enfim, te respondo apenas que 


Eu não posso te oferecer um livro, até porque larguei pela metade os que comecei, pois me dei conta que não sou tão bom assim com romances, por mais que eu tenha estudado bastante. 


Posso te oferecer um verso, e se um verso não for o suficiente eu posso tentar um conto. 


Contos eu consigo terminar. 


Espero que aceite, mas, por favor,


Só não me peça sonetos.

sábado, 24 de agosto de 2024

Tio Mauro

 Por vezes lembro do meu tio que veio de longe e conquistou seu lugar na família por direito 


Me apoiou para que eu viesse e que me desfizesse de algumas incertezas que já não me dizia respeito 


E o mais valioso preceito:


Me aconselhou a não guardar a saudade no bolso da jaqueta, mas escondida numa gaveta...


para não pesar no peito.

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

Terra do sol

É que eu sou da terra do sol, 

e meu sangue é fervente.


Nesta cidade, preciso de tudo igualmente quente.


Banho ao ponto de escaldar a pele; 

Café ao ponto de queimar os lábios...


E amores ao ponto de derreter a alma.

sexta-feira, 6 de outubro de 2023

Idioma.

 Eu sei que o melhor pra nós foi ter ido embora

Mas puta que pariu

Recife agora era o que eu mais queria 

E até meu sotaque não mente

Esse jeito de falar tão displicente 

Da forma que é contraditório

Se eu não explicasse, você não entenderia 

E talvez seja disso que eu sinta tanta falta...

Não ter que me explicar. 


Recife meu lugar, Pernambuco meus país. 




terça-feira, 22 de março de 2022

Escrever por amor

 
Escrever por amor? Quem dera. 

A unica coisa que o amor me deu foi uma pilha de papel velho em minha mesa, somado a uns tantos traumas. ( E chifres, não esqueçam que sou pernambucana, todos sabem que Recife vai se acabar em gaia. ) 
 

Tenho alergia a poeira e a terapia é muito cara. 

E essas merdas de textos são de graça. 

Quando lançaram o Amor na terra, os Deuses nos fizeram foi uma piada grosseira. 

Pois é, de graça, toda essa desgraça. 

Onde está a graça? 

Em algum inferninho por ai

onde estarei logo mais, 

Até mais. 

Perguntas sem respostas.

A verdade é que busquei por respostas para perguntas que nem mesmo sabia quais,
nas esquinas que andei e nos jornais que fingi ler no ponto do ônibus,
nos inúmeros discos das rádios que ouvi
e nas meias palavras saídas de tantas bocas por ai.

Mas é difícil achar respostas se você não sabe nem ao menos qual são as perguntas. 

Há uma inquietação dentro de mim. 

É, Gato de Winchester, se a gente não sabe pra onde ir: qualquer caminho serve. 

E se não sabemos quais são as perguntas, qualquer resposta deve servir também.